domingo, 28 de agosto de 2016

Esquizofrenia ou desordem cerebral grave

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A esquizofrenia é uma desordem cerebral grave em que as pessoas interpretam a realidade de forma anormal. A esquizofrenia pode resultar na combinação de alucinações, delírios, pensamento e comportamento extremamente desordenados.
Ao contrário da crença popular, a esquizofrenia não é uma personalidade dividida ou personalidade múltipla. A palavra "esquizofrenia" significa "mente dividida", mas refere-se a uma ruptura do equilíbrio habitual de emoções e pensamento.
A esquizofrenia é uma condição crônica, que necessita de tratamento ao longo da vida.

Sintomas de esquizofrenia

Normalmente, nos homens, os sintomas da esquizofrenia começam por volta dos 20 a 30 anos de idade. Nas mulheres, geralmente, os sintomas começam perto dos 30 anos. Esta condição é incomum em crianças e raramente aparece em pessoas com mais de 45 anos.
A esquizofrenia envolve uma série de problemas com o pensamento (cognitivo), comportamento ou emoções. Os sinais e sintomas podem variar, mas eles refletem uma capacidade diminuída de funcionamento. Os sintomas podem incluir:
  • Ilusões. Estas incluem falsas crenças que não são baseadas na realidade. Por exemplo, você sente-se prejudicado ou assediado sentindo que certos gestos ou comentários são direcionados a você; sente que tem uma capacidade ou fama excepcional; pensa que outra pessoa é apaixonada por você; sente que uma grande catástrofe está prestes a ocorrer; ou que o seu corpo não está a funcionar corretamente. Os delírios ocorrem em até 4 em cada 5 pessoas com esquizofrenia.
  • Alucinações. Geralmente, estas envolvem ver ou ouvir coisas que não existem. No entanto, para a pessoa com esquizofrenia, elas têm toda a força e impacto de uma experiência normal. As alucinações podem variar, mas ouvir vozes é a alucinação mais comum.
  • Pensamento desorganizado (fala). Pensamento desorganizado ocorre com discurso desorganizado. Uma comunicação eficaz pode ser prejudicada, e por vezes, as respostas às perguntas podem ser parciais ou surgirem completamente fora de contexto. Raramente, a fala pode incluir juntar palavras sem sentido que não podem ser entendidas, por vezes conhecida como salada de palavras.
  • Comportamento motor extremamente desorganizado ou anormal. Isto pode mostrar.se através de um grande número de formas, desde disparate infantil a agitação imprevisível. O comportamento não é focado num objetivo, o que torna difícil a execução de tarefas. Comportamento motor anormal pode incluir resistência a instruções, postura inadequada e bizarra, uma completa falta de resposta, ou movimento inútil e excessivo.
  • Sintomas negativos. Isto refere-se à redução da capacidade ou à falta de capacidade de funcionar normalmente. Por exemplo, a pessoa parece carecer de emoção, e pode não manter contato visual, não mudar as expressões faciais, falar sem inflexão e de forma monótona, ou não ter movimentos de cabeça que normalmente fornecem a ênfase emocional no discurso. Além disso, a pessoa pode ter uma reduzida capacidade de planejar ou realizar atividades, tais como diminuição da fala e negligência de higiene pessoal, ou ter uma perda de interesse em atividades diárias, isolar-se socialmente ou ter a falta de capacidade para sentir prazer.

Causas de esquizofrenia

Não se sabe o que causa a esquizofrenia, mas os pesquisadores acreditam que uma combinação de genética e ambiente contribuem para o desenvolvimento da doença.
Problemas com certas substâncias químicas cerebrais que ocorrem naturalmente, incluindo neurotransmissores chamados dopamina e glutamato, também podem contribuir para a esquizofrenia. Estudos de neuroimagem mostram diferenças na estrutura do cérebro e sistema nervoso central das pessoas com esquizofrenia. Enquanto os pesquisadores não estão certos sobre o significado dessas mudanças, eles apoiam evidências de que a esquizofrenia é uma doença do cérebro.


Fatores de risco para esquizofrenia

Embora a causa exata da esquizofrenia não seja conhecida, certos fatores parecem aumentar o risco de desenvolver ou desencadear a esquizofrenia, incluindo:
  • Ter uma história familiar de esquizofrenia
  • A exposição a vírus, toxinas ou má nutrição, enquanto o bebê permanece no útero, particularmente no primeiro e segundo trimestres
  • O aumento da ativação do sistema imunitário, tais como a partir de doenças inflamatórias ou auto-imunes
  • A idade avançada do pai
  • Tomar drogas que alteram a mente (psicoativas ou psicotrópicas) durante a adolescência e início da vida adulta

Complicações associadas a esquizofrenia

Não tratada, a esquizofrenia pode resultar em graves problemas emocionais, comportamentais e de saúde, bem como problemas legais e financeiros que afetam todas as áreas da vida. As complicações que podem causar ou ser associadas a esta condição incluem:
  • Suicídio
  • Qualquer tipo de auto-lesão
  • Ansiedade e fobias
  • Depressão
  • Abuso de álcool, drogas ou medicamentos de prescrição
  • Pobreza
  • Conflitos familiares
  • Incapacidade para o trabalho ou para frequentar a escola
  • Isolamento social
  • Problemas de saúde, incluindo aqueles que são associados com medicamentos antipsicóticos, tabagismo e estilo de vida pobre
  • Ser vítima de um comportamento agressivo
  • Comportamento agressivo, embora seja incomum e normalmente esteja relacionado com a falta de tratamento, abuso de substâncias ou uma história de violência

Diagnóstico para esquizofrenia

Quando os médicos suspeitam que alguém tem esquizofrenia, normalmente pedem histórias médicas e psiquiátricas, realizam um exame físico, e executam testes médicos e psicológicos, incluindo:
  • Testes e exames. Estes podem incluir um teste de laboratório chamado de hemograma completo (CBC), outros exames de sangue que podem ajudar a afastar doenças com sintomas semelhantes, e triagem para álcool e drogas. O médico também pode solicitar exames de imagem, como uma ressonância magnética ou tomografia computadorizada.
  • Avaliação psicológica. Um médico ou profissional de saúde mental irá verificar o estado mental através da observação e aparência de comportamentos e perguntar sobre pensamentos, humores, delírios, alucinações, abuso de substâncias, e potencial predisposição para violência ou suicídio.
Para uma pessoa ser diagnosticado com esquizofrenia, ela deverá de cumprir os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Este manual, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, é usado por provedores de saúde mental para diagnosticar condições mentais.
Diagnóstico de esquizofrenia envolve a exclusão de outros transtornos de saúde mental e  a determinação de que os sintomas não são devidos a abuso de drogas, medicamentos ou a uma outra condição médica. Além disso, uma pessoa tem de ter pelo menos dois dos seguintes sintomas, na maioria das vezes durante um período de um mês, com algum grau de perturbação a estar presente ao longo de seis meses:
  • Delírios
  • Alucinações
  • Discurso desorganizado (indicando pensamento desorganizado)
  • Comportamento extremamente desorganizado
  • Comportamento catatônico, que pode variar de ofuscação de coma a comportamento bizarro e hiperativo
  • Sintomas negativos, relacionados com capacidade reduzida ou falta de capacidade de funcionar normalmente
  • Pelo menos um dos sintomas deve ser o delírio, alucinações ou discurso desorganizado
  • A pessoa deve mostrar uma diminuição significativa na capacidade de trabalhar, ir à escola ou realizar tarefas diárias normais, na maioria das vezes.

Tratamento para esquizofrenia

A esquizofrenia requer tratamento ao longo da vida, mesmo quando os sintomas desaparecerem. O tratamento com medicamentos e terapia psicossocial podem ajudar a gerenciar a condição. Durante os períodos de crise ou tempos de sintomas graves, a hospitalização pode ser necessária para garantir a segurança, nutrição adequada, sono adequado e higiene básica.
Geralmente, um psiquiatra com experiência no tratamento da esquizofrenia orienta o tratamento. A equipe de tratamento também pode incluir um psicólogo, assistente social, enfermeiro psiquiátrico e, possivelmente, um gerente de caso para coordenar os cuidados. A abordagem full-time pode estar disponível em clínicas com experiência no tratamento da esquizofrenia.

Medicamentos para esquizofrenia

Os medicamentos são a pedra angular do tratamento da esquizofrenia. No entanto, porque os medicamentos para a esquizofrenia podem causar graves mas raros efeitos colaterais, as pessoas com esquizofrenia podem ficar relutantes em usá-los.
As medicações antipsicóticas são os medicamentos mais comumente prescritos para tratar a esquizofrenia. Pensa-se que estes podem controlar os sintomas, afetando os neurotransmissores do cérebro, dopamina e serotonina.
Disponibilidade para cooperar com o tratamento pode afetar a escolha do medicamento. Alguém que seja resistente a tomar a medicação de forma consistente pode precisar de receber injecções em vez de tomar comprimidos. Alguém que seja agitado pode precisar de ser acalmado inicialmente com uma benzodiazepina, tais como lorazepam (Ativan), que pode ser combinada com um anti-psicótico.


Prevenção de esquizofrenia

Não existe nenhuma forma conhecida de prevenir a esquizofrenia. No entanto, o tratamento precoce pode ajudar a manter os sintomas sob controle antes de complicações graves se desenvolverem, e pode ajudar a melhorar as perspetivas de longo prazo.
Cumprir o plano de tratamento pode ajudar a prevenir recaídas ou o agravamento dos sintomas da esquizofrenia. Além disso, os pesquisadores esperam que aprender mais sobre os fatores de risco para a esquizofrenia possa levar a um diagnóstico e tratamento precoce.
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